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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fora da caridade não há salvação (1)

     A máxima fora da caridade não há salvação  é a consagração do princípio de igualdade diante de Deus e da liberdade de consciência. Tendo essa máxima como regra, todos os homens são irmãos, e qualquer que seja a sua maneira de adorar o Criador, eles se dão as mãos e oram uns pelos outros.
     Com o dogma fora da Igreja não há salvação  eles se amaldiçoam, se perseguem e vivem como inimigos; o pai não ora pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo; eles se julgam reciprocamente condenados para sempre. Esse dogma da Igreja é, portanto, essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.
     Fora da verdade não há salvação  seria equivalente a  fora da Igreja não há salvação , e também seria exclusivista, visto que não existe uma única seita que não pretenda possuir o privilégio da verdade. Qual homem pode envaidecer-se de possuí-la inteiramente, enquanto os conhecimentos vão crescendo sem cessar à sua volta, e as idéias se modificam a cada dia?
     A verdade absoluta só é partilhada pelos espíritos de ordem mais elevada, e a humanidade terrestre não poderia ter a pretensão de possuí-la, porquanto não lhe é permitido saber tudo; ela só pode aspirar a uma verdade relativa e proporcional ao seu adiantamento.
     Se Deus fizesse, da posse da verdade absoluta, a condição expressa para a felicidade futura, isso seria um decreto de exclusão geral, enquanto que a caridade, mesmo em sua acepção mais abrangente, pode ser praticada por todos.
     O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo que se pode ser salvo, qualquer que seja a nossa crença, desde que se observe a lei de Deus, não afirma: fora do Espiritismo não há salvação  e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: fora da verdade não há salvação , palavras que dividiriam em lugar de unir, e perpetuariam o antagonismo.
(O Evangelho segundo o espiritismo)


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